O prevalecimento do capital sobre o social

Fabrícia Lopez
Quarto semestre


A década de 50 foi palco da intensificação do processo de lutas. Os operários e camponeses intensificavam suas ações expelindo todas as mazelas do Estado. O fortalecimento dos mecanismos de reivindicação política resultou na união de forças, e isso amendrontrava a elite econômica brasileira. A pressão política causava o temor do rompimento dos limites institucionais da negociação salarial.

Em 1963, a criação da Confederação Nacional dos Trabalhadores Agrícolas deixou os latifundiários em estado de pânico, afinal falar em reforma agrária era o mesmo que invocar o diabo. O medo era natural, os estudantes e intelectuais fortemente influênciados pelo pensamento de esquerda agiam ativamente pela aproximação com a classe operária. Esta aproximação ressaltava o descontentamento com o sistema da atual organização política, que primava por explorar grandes contingentes, alimentando o poder das classes privilegiadas.

Este momento político impregnou toda produção cultural. Os intelectuais e artistas usavam de todos os instrumentos para questionar a postura do sistema vigente. A arte era revolucionária em todas as suas manifestações. A palavra de “ordem” era conscientização da população analfabeta e marginalizada, seja pelo teatro, que era apresentado em frente às fábricas ou pela alfabetização em bairros periféricos.

Toda esta conjuntura e a presença de Jango no poder significava um elo com as demandas populares, e isso não agradava a elite econômica, que jamais permitiria reformas de base, afinal a hegemônia dela depende da exploração do proletariado. A proximidade do PCB (Partido Comunista Brasileiro) com o Estado e a radicalização política fizeram emergir um dos períodos mais dramáticos da história brasileira.

Em 1964, os militares aplicam o golpe com o sermão de “restabelecimento da ordem social”. O Congresso foi fechado, o Judiciário depurado dos juízes que poderiam representar problemas. A imprensa foi submetida à censura, as universidades investigadas, repartições públicas monitoradas, enfim, o regime não aceitava inimigos, muito menos opiniões divergentes.

Sob o lema da segurança nacional, os donos do País calaram a boca de qualquer antagonismo. O golpe não foi apenas de estado, mas de consciência. Estes homens de fardas invadiram com tanques as mentes brasileiras com sua propaganda fajuta que colocava qualquer avanço social como o fim da ordem e começos do caos.

Entretanto, com o passar do tempo, a troca de favores e a situação insustentável fizeram surgir uma ilusória “abertura política”. Mas resta uma questão: os avanços vieram? E as reformas de base? Não, elas ainda não chegaram. Mediante isso, a resistência continua nossa inimiga atual: é o grande capital especulativo que dita as regras do jogo, dizendo se haverá fartura ou abastança.

Segundo o teórico Ignácio Romonet, na sociedade pós-moderna, o predomínio do fator econômico se sobressai ao estatal. Esta afirmação explica porque a transição política não alterou o status quo, afinal, o poder financeiro doma o Estado, ou seja, o capital prevalece em relação ao social. A atual crise ilustra esta realidade, pois a maior preocupação dos governantes não é o bem-estar da população, mas a saúde do sistema bancário.
Apresentações dos TCCs de Jornalismo‏


Professora mestre Karenine Miracelly
Coordenadora do curso de Jornalismo


As apresentações dos TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) de Jornalismo começam nesta quarta-feira, dia 19, e se estendem até dia 29, último sábado do mês, no Núcleo de Prática Jurídica (prédio 1) do Unitoledo. As sessões de apresentação são públicas e podem ser acompanhadas por toda a comunidade acadêmica e por pessoas de fora da instituição, que conheçam os graduandos ou que tenham interesse pelos temas. Há apresentações agendadas para o período da manhã, final da tarde e noite.

São 16 trabalhos: seis monografias e dez produtos. Dentre os produtos, há quatro projetos experimentais na área de jornalismo impresso, na categoria livro-reportagem, e seis na área de jornalismo televisivo, nas categorias videorreportagem (três) e videodocumentário (três).

O regulamento do TCC de Jornalismo de 2008 permitiu que as monografias e os livros-reportagem fossem feitos individualmente. Os demais produtos foram produzidos em duplas ou equipes. Todos foram orientados por professores do curso de Jornalismo.

Durante as apresentações, os TCCs serão avaliados por bancas constituídas para cada uma delas. São três examinadores para cada banca: o orientador do trabalho e mais dois professores do UniToledo, inclusive de outros cursos, ou de outras instituições, convidados pelos alunos ou orientadores especialmente para a sessão.

As apresentações duram cerca de um hora. Os graduandos têm um prazo de até 30 minutos para expor o trabalho, incluindo exibição de vídeo dos projetos experimentais televisivos. Em seguida, os três examinadores têm 20 minutos para fazer perguntas ou considerações sobre o trabalho apresentado. Os graduandos devem responder à arguição feita pela banca.

A avaliação do TCC é feita seguindo critérios que analisam a qualidade científica do trabalho. No caso dos produtos, também é avaliado o relatório técnico que os acompanha, a linguagem jornalística, a aplicabilidade ao mercado entre outros quesitos. Os trabalhos foram entregues aos membros das bancas no final de outubro para que a leitura fosse efetuada. O desempenho durante a apresentação também é avaliada.

Na avaliação do TCC, também é levado em conta o desempenho do aluno na disciplina Projetos Experimentais durante todo o ano, que consistia em acompanhar o desenvolvimento do material passo a passo. Para ser aprovado, os graduandos precisam de nota mínima sete. A nota máxima é dez, sem méritos de louvor ou distinção. O resultado é informado publicamente ao final das apresentações, quando é lavrada ata da sessão, documento que é assinado pelos examinadores.

Clique aqui para acessar a agenda da programação.
Com outros olhos...

Marília Lopes
Natalí Garcelan
Nathália Bragalda
Thiago Bogo
Sexto semestre noturno


É assim que ele vê o mundo. De vários ângulos, o diferente, o que ninguém imaginaria ver. Este é o trabalho de Alexandre Souza, repórter-fotográfico que conta histórias com formas, cores e sombras que falam mais que mil palavras e tocam como poesia os sentimentos de cada um que contempla suas imagens. Mais do que isso. Souza retrata a realidade por perspectivas que não acreditamos ser reais. Apenas com uma câmera.

A paixão que possui por fotografias existe há muito tempo. São 17 anos de profissão em que começou como entregador de jornal no extinto “A Comarca”, em 1990. Um ano depois, cursou Fotografia no Senac, passando por diversos jornais e ministrando palestras. Atualmente, trabalha no jornal “Folha da Região”.

Em palestra feita para os alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo (diurno e noturno), o fotógrafo admite que fotografia é uma arte que se aprende errando. O repórter que já passou por diversos meios de comunicação, confessa que quando iniciou na experiência de fotos para jornalismo on-line, na extinta Agência Interior, quase desistiu do emprego, pois teria que lidar com novas tecnologias e não saberia como manuseá-las.

Souza, porém, não desistiu dos desafios e hoje encoraja os futuros profissionais. “Quem deseja trabalhar com fotojornalismo, precisa pedir opinião ao editor, ao repórter, isso é normal”, orienta.

Diante do dia-dia cheio de imprevistos do Jornalismo, muitas pautas furadas podem acontecer, e nesse caminho, o fotógrafo precisa estar atento aos detalhes mais delicados que podem render um bom trabalho e até mesmo chegar a uma capa. Foi o que aconteceu quando, em determinada ocasião, ao cobrir uma reclamação de buraco em rua feita por um leitor. Ao ir ao local, percebeu que o buraco possuía o formato do mapa do Brasil e tornou, assim, aquele pequeno fato em uma foto de capa interessante.

Mostrar o que as pessoas não vêem define o trabalho de Alexandre Souza, que ao fazer uma imagem busca registrar o melhor ângulo. Ele veste a camisa, afinal um bom repórter-fotográfico se arrisca sem medo. Não existe ameaça que impeça um clique, e se existirem barreiras durante o trabalho, outro ângulo do fato impressionará o leitor.
Policialesca imprensa

A semana iniciada no dia 12 de outubro teve os holofotes da mídia voltados para uma mesma direção. O caso da menina Eloá, de 15 anos, que foi seqüestrada dentro da sua residência e depois morta por Lindemberg Alves, ex-namorado da vítima, sustentou a maioria das manchetes naquela semana. Se não bastasse toda a tensão do momento, a mídia ainda fazia do caso um reality show, intervindo de maneira até irresponsável nos trabalhos policiais.

Uma verdadeira tropa de jornalistas, conduzida pelas pautas insaciáveis por furos, passou a monitorar o humilde apartamento da periferia de Santo André, no ABC paulista, alerta a um desfecho do caso, enfatizado como “o maior seqüestro da história do Brasil”.

E neste “show” de cobertura, a imprensa fez de tudo. Sônia Abrão, por exemplo, em seu programa, se comunicou com o seqüestrador por telefone, indagando-o sobre o motivo daquela atitude. Não somente ela, muitos outros canais tentaram um contato com o “protagonista” do caso, entre outras irresponsabilidades que comprometeram o tempo de negociação policial.

Não é novidade este comportamento irracional, camuflado pelo dever de “noticiar tudo e todos”, atropelando os meios para justificar os fins. Em outros casos criminosos, como o da menina Isabella, a mídia fez de tudo para dar uma informação de última mão ou para entrevistar os pivôs do acontecimento, sempre motivada pelo espírito de estar na frente da concorrência.

Com a posição de estar à frente dos fatos, a mídia acaba por interferir direta ou indiretamente no resultado final de um caso, desviando o enfoque principal, que é informar a população sobre o acontecimento, sem interferir na ação das autoridades competentes. Infelizmente, em casos como estes, a mídia acaba se tornando “juiz”, onde são feitos pré-julgamentos, acarretando em situações adversas com o acontecimento.

Vale lembrar que, neste caso, a polícia teve sua parcela de culpa, porque foi pressionada pelas atitudes da imprensa. A inteligência estratégica que neste tipo de operação é recomendada, no caso da menina Eloá, ficou em segundo plano, pois tanto o seqüestrador quanto a polícia se pautaram pela cobertura da mídia.

Este crime demonstrou os erros da imprensa, pois ela não se concentrou no seu papel principal, que é a informação, mas pretendeu interferir nas decisões pertinentes à polícia. Fica claro, então, que a imprensa brasileira ainda é imatura nos casos em que o assunto é delicado.

Texto produzido em grupo pelos alunos Anderson Soares, Beatriz Cavalaro, Beatriz Longhini, Bruna Alves, Camila Vieira, Carlos Furlaneti, Caroline Candeias, Caroline Silva, Cibele Fonseca, Cláudia Vanessa, Cláudio Henrique, Cleiton Galhardo, Diego Rigamonti, Felipe Braga, Gabriela Saran, Ivan Ambrósio, João Gabriel e José Roberto.
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